Desperte os Arquétipos da Deusa em Você: Um Novo Olhar para o Dia das Mulheres
- Conexão Quinta Essência

- 8 de mar.
- 10 min de leitura
Atualizado: 4 de jul.
Há algo profundo, misterioso e ancestral que pulsa no coração de cada mulher. Uma força silenciosa, mas poderosa. Um chamado que ecoa desde os tempos mais antigos — o chamado da Deusa.

Muito além das comemorações convencionais, o Dia das Mulheres pode ser um convite para uma reconexão interior. Uma oportunidade de lembrar que ser mulher vai muito além de papéis sociais, títulos ou responsabilidades. Ser mulher é ser cíclica, múltipla, paradoxal. É carregar dentro de si arquétipos que dançam entre a luz e a sombra, entre o instinto e o sagrado.
Neste espaço, vamos explorar o universo simbólico e arquetípico do feminino profundo. Em vez de flores e clichês, oferecemos espelhos mitológicos. Referências que vêm da alma e não apenas da história. Aqui, o presente se conecta com a sabedoria dos mitos, das deusas antigas e das vozes femininas que vêm ecoando através das gerações.
Você está prestes a embarcar em uma jornada de redescoberta. Não para se tornar algo novo, mas para lembrar aquilo que, em algum lugar do tempo, você já foi — e ainda é.
👑 O Arquétipo da Deusa: um mapa interior
Dentro da psique feminina vive uma multiplicidade de vozes, forças e imagens que nem sempre conseguimos nomear, mas que sentimos agir silenciosamente em nossas escolhas, desejos, medos e ciclos. Essas forças internas são o que chamamos de arquétipos — padrões universais de energia que moldam nossa maneira de ser, sentir e viver.
Na tradição da psicologia analítica de Carl Jung, arquétipos são estruturas simbólicas do inconsciente coletivo. Eles estão presentes em mitos, contos de fadas, sonhos, religiões e comportamentos humanos desde os primórdios. E, quando falamos do arquétipo da Deusa, estamos falando de uma imagem ancestral que representa o feminino em sua totalidade: criadora, destruidora, curadora, guerreira, amante, mãe, anciã, donzela — todas coexistindo dentro de uma mesma alma.
A Deusa não é um símbolo externo que precisa ser adorado, mas sim um espelho interno que convida à escuta e à integração. Reconhecer os arquétipos que vivem em nós é como decifrar o próprio mapa da alma. É entender por que somos impulsionadas a certos caminhos, por que resistimos a outros e como podemos alinhar nossas escolhas com uma sabedoria mais profunda.
Esse mergulho no feminino arquetípico não é um luxo intelectual — é uma prática de autoconhecimento e reconexão. É um retorno à inteireza, especialmente em um mundo que frequentemente fragmenta a mulher em papéis limitados. A Deusa, como arquétipo, nos lembra que não somos apenas uma versão de nós mesmas — somos muitas e todas são sagradas.
🔊 Ecos da Deusa: vozes que nos guiam
O resgate da Deusa interior é um processo delicado, profundo — e, muitas vezes, solitário. Mas não precisa ser. Ao longo das últimas décadas, algumas autoras e estudiosos se dedicaram a criar pontes entre o mundo simbólico dos mitos e a realidade vivida pelas mulheres contemporâneas. Seus trabalhos se tornaram verdadeiros guias de alma, oferecendo referências arquetípicas para que cada mulher possa se enxergar com mais clareza e reverência.
As obras que trazemos aqui não foram escolhidas ao acaso. Elas têm em comum a abordagem arquetípica e simbólica do feminino, partindo tanto da psicologia junguiana quanto da mitologia comparada. São livros que não apenas explicam, mas evocam — tocando emoções profundas, instintos esquecidos, memórias que vivem no corpo e no inconsciente de cada mulher.
Cada um desses autores oferece uma lente única para observar a alma feminina:
Clarissa Pinkola Estés nos conduz por narrativas míticas que falam diretamente com a mulher instintiva e intuitiva.
Jean Shinoda Bolen apresenta as deusas como modelos internos que moldam nossas escolhas e identidades.
Maureen Murdock oferece um mapa simbólico da jornada feminina, em contraste com o modelo masculino tradicional.
E Joseph Campbell, mesmo falando a partir da experiência do herói, reconhece a mulher como o próprio mistério do qual toda jornada emerge.
A seguir, iremos mergulhar nas principais contribuições de cada um desses autores — não para rotular, mas para reconhecer e relembrar as muitas formas da Deusa que vivem dentro de nós mulheres.
A Mulher Selvagem — Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés
Clarissa Pinkola Estés, psicanalista junguiana e contadora de histórias, nos apresenta a imagem da Mulher Selvagem como o arquétipo essencial da alma feminina. Essa mulher não é indomada no sentido de rebelde ou caótica, mas sim inteira, intuitiva, conectada com seus ciclos e com a natureza profunda do ser.
Por meio de contos mitológicos e folclóricos, Clarissa nos conduz a territórios esquecidos da psique. Ela mostra como, em muitas mulheres, a intuição foi sufocada, a criatividade domesticada e a alma instintiva abandonada. A Mulher Selvagem, então, aparece como aquela que precisa ser resgatada — uma força vital que vive debaixo das camadas de obediência, exaustão e silenciamento.
Esse arquétipo é especialmente poderoso para mulheres que sentem um chamado interno, um desejo de se reconectar com sua essência autêntica, com sua liberdade interior, com o que pulsa além das máscaras.
Frase-âncora:
"Ser nós mesmas provoca medo. Então, a maioria de nós escolhe ser alguém que não é."
— Clarissa Pinkola Estés
As Sete Deusas — As Deusas e a Mulher, de Jean Shinoda Bolen
Jean Shinoda Bolen, também junguiana, nos convida a olhar para as deusas do panteão grego como personificações dos padrões emocionais, psicológicos e espirituais das mulheres. Em sua obra, ela apresenta sete deusas-arquétipos que habitam a psique feminina:
Ártemis: a mulher independente, conectada com a natureza e a irmandade entre mulheres.
Atena: a estrategista racional, prática e centrada na mente.
Hera: a mulher comprometida com parcerias e com o papel de esposa.
Deméter: a mãe cuidadora e nutridora.
Perséfone: a mulher receptiva, intuitiva e em processo de amadurecimento.
Afrodite: a amante criativa, sensual e inspiradora.
Héstia: a guardiã do lar interior e da presença consciente.
Esses arquétipos não são "tipos fixos", na verdade eles são energias que se manifestam com maior ou menor intensidade dependendo das fases da vida, das experiências vividas e do momento da jornada pessoal de cada mulher.
Reflexão poderosa:
Qual dessas deusas está mais presente em você hoje? E qual precisa ser convidada de volta?
O Retorno ao Feminino — A Jornada da Heroína, de Maureen Murdock
Maureen Murdock propõe uma visão alternativa à clássica jornada do herói, tão amplamente explorada na mitologia. Ela percebeu que as mulheres não percorrem a mesma trilha linear da superação e conquista externa. A jornada da heroína envolve, primeiro, a ruptura com o feminino tradicional — muitas vezes para sobreviver em um mundo patriarcal — e depois, um mergulho doloroso e curador para se reconectar com o feminino ferido.
Essa jornada inclui a reconciliação com a mãe interior e a recuperação da alma. Não é um retorno romântico ao passado, mas um resgate legítimo do feminino profundo como força criadora, integradora e regeneradora.
Murdock nos mostra que o verdadeiro poder da mulher não está apenas no fazer, mas no ser. Na aceitação da vulnerabilidade, na escuta dos ciclos, na presença que acolhe, transforma e nutre.
A Mulher como Guardiã do Mistério — O Poder do Mito, de Joseph Campbell com Bill Moyers
Embora Joseph Campbell tenha estruturado sua teoria da “Jornada do Herói” em torno de figuras predominantemente masculinas, em O Poder do Mito ele reconhece a importância do feminino como símbolo da totalidade, da origem e do mistério da vida.
Segundo Campbell, a mulher — em sua representação mítica — é a porta entre os mundos. Ela é o útero simbólico de onde tudo nasce, inclusive o herói. Ela representa o mistério, o renascimento, a união entre opostos. E, nesse sentido, a mulher não precisa sair em busca de algo — ela já é aquilo que o mundo busca.
Essa visão reverencia o feminino como uma presença ancestral e sagrada que está no centro da experiência humana — e não à margem dele.
🔍 A Deusa em Você: identificando seus arquétipos predominantes
Como já dissemos, cada mulher carrega dentro de si diversas deusas. Elas não competem entre si — elas coexistem, revelando diferentes aspectos da alma feminina. Algumas são mais visíveis e ativas em certos momentos da vida, enquanto outras adormecem, à espera de serem reconhecidas e integradas.
Reconhecer quais arquétipos estão mais presentes hoje é um passo importante na jornada de autoconhecimento. Esse olhar simbólico permite compreender padrões de comportamento, necessidades emocionais, formas de amar, de trabalhar, de se relacionar com o mundo e consigo mesma.
Passo a passo para identificar suas deusas interiores:
Observe suas tendências espontâneas
Reflita sobre o que te move no dia a dia. Você se sente mais conectada com a liberdade, com o cuidado, com o prazer, com o propósito? Prefere estar em grupo, em relacionamentos ou em solitude?
Exemplo: Se você busca autonomia e conexão com a natureza, pode estar em sintonia com Ártemis. Se é movida pela beleza, amor e criatividade, Afrodite pode estar ativa.
Reconheça padrões nos seus ciclos de vida
Em diferentes fases, arquétipos diferentes se manifestam com mais força.
Uma mulher jovem, em fase de descoberta, pode se identificar com Perséfone. Já uma mãe madura, nutridora, pode sentir a presença de Deméter ou Héstia. Mulheres em transição de vida muitas vezes vivem a jornada de Inanna, descendo simbolicamente ao submundo para renascer.
Note o que você evita ou rejeita em si mesma
Às vezes, aquilo que negamos é justamente o que precisa ser integrado.
Mulheres que rejeitam a própria sensualidade podem estar desconectadas de Afrodite. Quem tem aversão à vulnerabilidade pode estar afastada da sabedoria de Perséfone.
Preste atenção aos seus sonhos e símbolos recorrentes
Os arquétipos se manifestam através do inconsciente. Sonhos, imagens, impulsos criativos e até personagens que nos atraem em filmes e livros podem apontar quais deusas estão tentando emergir.
Não apenas pense, sinta
Mais do que uma análise racional, reconhecer os próprios arquétipos é um processo intuitivo. O corpo sabe. A alma reconhece. Confie naquilo que ressoa, mesmo que ainda não faça total sentido mentalmente.
Você pode criar um pequeno altar simbólico, escrever cartas para essas deusas internas ou até dialogar com elas em sua escrita íntima. Ao nomeá-las, você honra sua presença. E ao acolhê-las, torna-se mais inteira.
Pronta para despertar sua pluralidade?
🔥 Práticas para despertar a Deusa em você
Despertar a Deusa que habita em você não exige um altar elaborado, nem fórmulas místicas distantes da sua realidade. A reconexão com o feminino arquetípico acontece no corpo, no silêncio, no gesto consciente. Ela acontece quando você escolhe se escutar, quando honra seu próprio ritmo e começa a tratar a si mesma como sagrada.
Aqui estão algumas práticas simples e profundas que podem ser realizadas sozinhas ou compartilhadas com outras mulheres.
1. Ritual do espelho: um olhar sagrado para si mesma
Diante do espelho, olhe nos seus olhos como se estivesse diante de uma presença divina. Respire fundo, suavize o olhar e diga a si mesma (em voz alta ou mentalmente):
“Eu reconheço a Deusa em mim.”
“Eu sou inteira, múltipla, selvagem e sagrada.”
Permaneça em silêncio por alguns instantes. Observe o que sente. Essa prática é especialmente potente em momentos de dúvida, autocrítica ou desconexão.
2. Criação de um altar intuitivo
Separe um cantinho em sua casa que represente um espaço de presença. Coloque ali objetos que evoquem sua essência: flores secas, pedras, símbolos, fotos, cartas, palavras, perfumes, tecidos, velas.
Não há regra. Esse altar é um espelho da sua alma no momento presente. Retorne a ele sempre que sentir que precisa lembrar de quem você é.
3. Escrita arquetípica: diálogo com as deusas
Escolha uma deusa-arquétipo que ressoe com seu momento atual. Escreva como se estivesse conversando com ela. Pergunte, desabafe, peça orientação. Em seguida, mude de posição e responda como se fosse a própria deusa. Deixe que a intuição escreva por você.
Essa prática de escrita simbólica ajuda a acessar partes inconscientes e revelar respostas que a mente sozinha não alcança.
4. Dança livre para reconectar com o corpo
Escolha uma música que mexa com seu corpo e sua alma. Feche os olhos e se permita dançar sem coreografia, sem estética, sem controle. Apenas sinta.
Deixe que cada parte do seu corpo se mova como quiser. Esse é um ato de libertação do corpo-instinto, corpo-ritual, corpo-templo.
5. Ciclo lunar: reconecte-se com seus ritmos
Observe em que fase está a lua e pergunte a si mesma como essa energia se reflete em você.
A lua nova convida ao recolhimento. A crescente, à ação. A cheia, à expressão. A minguante, à liberação.
Sintonizar-se com os ciclos da natureza é uma forma de honrar a Deusa viva — aquela que pulsa em cada célula do seu corpo.
Nenhuma dessas práticas é obrigatória ou definitiva. O importante é que você se permita experimentar com curiosidade e afeto. O despertar da Deusa acontece quando você começa a lembrar que sua vida, do jeito que ela é agora, já carrega o sagrado.
🌙 Um chamado para lembrar quem você é
A Deusa não é um mito distante. Ela é presença viva. Habita o seu corpo, os seus silêncios, os seus desejos e contradições. Ela não exige perfeição — exige verdade. E verdade não é algo que se conquista: é algo que se lembra.
Neste Dia das Mulheres, mais do que celebrar conquistas externas, que possamos nos voltar para dentro. Olhar com ternura para as partes de nós que foram esquecidas, caladas ou aceleradas demais. E, com coragem, estender a mão para elas. Reconhecer suas vozes. Dar espaço para existirem.
O arquétipo da Deusa nos lembra que ser mulher é ser muitas. E que essa multiplicidade não é um erro, mas um dom. Somos terra e vento, afeto e fúria, silêncio e criação. Somos donzelas, mães, anciãs e curandeiras — e, às vezes, tudo ao mesmo tempo.
Você não precisa buscar fora de si o que já pulsa dentro. A Deusa que você procura… é você. E despertar essa presença é, antes de tudo, um ato de amor.
Então, neste dia — e em todos os outros — que você se olhe com reverência. Que caminhe com seus pés firmes no chão e sua alma banhada de símbolos. Que escute os sussurros do instinto. Que sinta orgulho do caminho que trilha e da mulher que está se tornando.
Porque o mundo não precisa de mais perfeição. O mundo precisa de mulheres que se lembrem de sua verdadeira natureza. Mulheres que correm com lobos, dançam com suas sombras e sabem, no fundo, que são sagradas.
“Dentro de cada mulher existe uma vida secreta, uma força poderosa feita de instinto, de sabedoria, de paixão criadora. Ela é a Mulher Selvagem, a que conhece os caminhos.”
— Clarissa Pinkola Estés
“Quando uma mulher se lembra de quem é, quando ela incorpora uma deusa, ela se torna fonte de poder, de presença e de transformação.”
— Jean Shinoda Bolen








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